Eu vivia cheia de hematomas, vivia toda machucada, e minha mãe sempre me perguntava o que era, pra não deixá-la preocupada, eu dizia que caia, e blá, blá. Ela acreditava. Na realidade esses hematomas físicos não me incomodavam, o que me deixava mal eram os hematomas que havia dentro de mim, esses sim eram muito ruins. Como de costume, eu estava quieta, só que dessa vez, dentro do meu quarto. Eis que toca a campainha. - AAAANA, visita pra você! Gritou minha mãe. Congelei, fiquei tremula, mas mesmo assim resolvi descer, talvez não fosse ele, talvez fosse algum amigo, perai, eu não tenho amigos. É, era ele. Estava de costas, com um casaco que eu havia lhe dado no natal. Era ele ali, o meu problema, o problema que tinha solução, eu só não tinha decidido como iria resolver. Para minha surpresa, ele foi simpático. - Oi, disse ele sorrindo, na maior cara de pau. Não respondi. - Precisamos conversar. Permaneci em silêncio, apenas caminhei até a porta. Saímos dali, pois aquele não era o lugar adequado para nossa conversa, minha mãe poderia escutar. Não fomos muito longe, fomos até a pracinha. - Ei, desculpa você sabe que não foi por mal. Eu te amo. - Amor? Que espécie de amor é esse? Amar é cuidar e proteger, o que você tem feito, é só me machucar. Respondi num tom ríspido. - Na verdade Ana, você bem que mereceu. Ele começou a rir, de um modo sarcástico, confesso que me incomodou um pouco. De repente ele mudou de expressão, a aparência simpática já não estava ali, ele estava mostrando a verdadeira face, e pelo jeito o meu pesadelo iria começar. - Cansei de bancar o bom moço, até te pedi desculpa! É eu tinha razão, o pesadelo iria começar. Discutimos por um longo tempo. Então ele decidiu ser o cara cruel, que eu já não suportava mais. Ele me olhou fixamente nos olhos, ele tinha um olhar ruim. Eu tinha a absoluta certeza. Ele iria me machucar, iria deixar mais hematomas em mim, não só físico, mas psicológico também, eu implorava para que esse pesadelo tivesse um fim. Mas não, durou horas e horas. Quando acordei, ainda estava na pracinha, caída, sozinha e toda machucada...
Fui para casa, entrei pelos fundos para que minha mãe não me visse no estado que eu estava, fui para o banheiro, tomei um longo banho. Eu me ensaboava, e tinha nojo de mim, comecei a chorar, será que isso nunca terá um fim? Não aguento mais! Será que um dia vou poder voar e ser livre? Exatamente igual aquela borboleta? Até quando eu ficaria presa nesse casulo?
Passei o restante do dia no meu quarto, isolada.
Por Janaína


3 comentários:
mt foda :o
Temos visto na mídia diariamente o fim de relacionamentos assim, acaba sempre em tragédia.
A questão é, será que vale a pena viver um relacionamento tão conflituoso? E ainda ser levado a diante?
É um assunto a se pensar.
Antes a amar alguém temos que nos amar.
Triste estória...snif....snif...snif
Beijos
Mami
*___* sou o seu maior fã hahaha =D estou aki... saindo de um show em Araraquara,,, e olha oq estou fazendo.,.. vendo seu blog... amei o cp2 ^^
Bjaooooooooooo
Perê
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